“Desculpa a mão”, por Lucas M. Carvalho

“A troca de bala não findava. Precisou recarregar de novo, o som rangente do ferro roçando, as cápsulas em encaixe. Ramón Silva, cinco metros à frente, parecia ter acertado um deles. Flores quis avançar, mas uma bala ou outra passaram ferozes, o barro do chão arrancado, grama pelo ar. Mais atrás, o uruguaio travou em medo, sem avançar nem recuar. Cunha, homem quieto, mas melhor atirador do bando, estava ferido no braço. Dois ou três chimangos caíram, talvez mortos, talvez se fingindo de morto – mas outros surgiam sem parar. Sem parar. Flores sentiu um aperto no peito e um amargor nos lábios quando percebeu que uma comitiva inteira saía do esconderijo nas árvores pro confronto.”

Abandando o tranquilo litoral de “A pedra da tristeza”, viajamos até o sul do país, em plena Revolução Federalista no fim do século XIX. Com uma narrativa capaz de nos imergir nas práticas e expressões típicas do local, Lucas faz sua homenagem ao regionalismo sulista que tantos frutos rendeu à nossa literatura. Penetre as trincheiras inimigas conosco:

Leia “Desculpa a mão”

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