Recapitulando II: Luciano Cabral

Já que, até aqui, nós produzimos um bom punhado de histórias, resolvemos recapitulá-las em três partes. Pedro Sasse foi o primeiro a rememorar suas ficções e Lucas M. Carvalho será o último. Neste momento, sou eu, Luciano Cabral, quem tenho a palavra.

Quando decidimos criar o Poligrafia, tínhamos dois projetos em mente: 1. O Caixas de Sobra, um romance seriado escrito, em conjunto, por todos os autores do Poligrafia; e 2. Os Contos Temáticos, histórias criadas com base em temas. No fim das contas, escrevemos sobre nove temas: Terror, Mundo, Crime, Confinamento, Sci-Fi, Amor, Perspectivas, Releituras e Regionalismos.

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O Caixas de Sobra conta a história de um homem, de meia idade, que, após ter vivido entre caixas, produtos e entregas por tantos anos, decide largar sua família e carreira pra trás. Seu destino era construído a cada novo capítulo, mas seu passado sempre nos assombrava. Digo isso porque, escrito por cinco mentes, todos tínhamos que estar muito atentos ao conjunto pra que não houvesse contradições ou repetições. Esta empreitada nos ensinou a importância da comunicação. Foi preciso que estivéssemos em constante contato uns com os outros pra que pudéssemos entregar algo satisfatório. Além do mais, foi preciso aprender a ceder, pois o que se tinha construído num capítulo poderia ser desconstruído em outro.

Em comparação, os Contos Temáticos foram criações individuais. Havia um tema, previamente proposto, mas a história era escrita isoladamente, cada um produzia a sua.

O conto de Terror que escrevi, “Carne de Bicho, Carne de Gente”, emerge numa sociedade distópica, onde os personagens carnívoros valem-se de outros meios (não mais de procedência animal) pra conseguir carne.

O conto “Via Dolorosa”, pro tema Mundo, reconta os passos de Maria, Salomé e Madalena pelas treze estações da cruz, após a morte de Jesus Cristo. A história, do início ao fim, é contada através do diálogo das três personagens, como uma peça teatral, porém sem as rubricas.

Em “Eu Sei Que Não”, escrito pro tema Crime, um psicopata quer, a todo custo, transformar um heterossexual em homossexual. Pra isso, ele acorrenta sua vítima e discursa sobre as vantagens de ser obediente.

No tema Confinamento, nós decidimos que haveria um ambiente comum – um vagão de metrô – e um situação misteriosamente mortal a ser enfrentado. O meu conto “Momentos Felizes que Foram Devorados”, explorou a saga de um casal de músicos itinerantes. Desaparecimento, fumaça, barulhos inexplicáveis e conflitos humanos culminam num desfecho alucinatório de muitas dúvidas e poucas respostas.

No tema Sci-Fi, “Ovelhas Elétricas” foi escrito como um certo spin-off de Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? [ou Blade Runner]. Uma mistura de terceira e primeira pessoa, o conto concentra-se em uma androide que precisa dominar sua capacidade de seduzir humanos pra conseguir sobreviver entre eles.

“Ainda Não”, escrito pro tema Amor, mescla personagens literários e cinematográficos, filósofos, uma prostituta e um cliente que parece não estar ali em busca de sexo. Escrito em formato de peça teatral, o conto oferece momentos tristes e cômicos.

No tema Perspectivas, eu direcionei meus holofotes pra religião mais uma vez. O conto “Tentação”  ficcionaliza o encontro entre Jesus e o Diabo. Desta vez, no entanto, é o Diabo que traz sua versão da tentação. Segundo ele, é Jesus que, querendo se promover a qualquer custo, mente e espalha todo tipo de injúria contra alguém que estava apenas tentando descansar em paz.

As Releituras que fizemos de outras histórias me rendeu o conto “O Chapéu Novo de Amélia”. Revisitando a famosa narrativa de Chapeuzinho Vermelho, eu apresentei uma menina bem esperta – e mimada – que foi capaz de sacrificar a própria avó pra obter um chapéu novo como presente de aniversário. Vários dos elementos da história tradicional foram mantidos, mas o plano de Chapeuzinho, entra como um componente surpreendente na minha versão.

Por fim, pro Regionalismos, publiquei um conto de pescador que havia escrito anos atrás. “A Pedra da Tristeza” reúne causos sobre o mar, tarrafas, conselhos e um menino que, de tanto esperar o pai voltar, transforma-se em pedra – e em lenda.

Faz pouco tempo, também começamos a escrever, em pequenas colunas quinzenais, sobre Cinema, Jogos e Escrita. A parte que me cabe é esta última. Nas minhas colunas, falo do ato de escrever, de textos literários atemporais e de abordagens narrativas, por exemplo.

Pra vasculhar os meus textos aqui no Poligrafia, basta clicar nos títulos que aparecem aí em cima.

 

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