“Nunca se esqueça”, de Lucas M. Carvalho

A princípio, o tema Amor pode dar a impressão que o ciclo de contos será uma recorrência de relatos românticos, desses que nem os mais apaixonados amantes aguentam mais escutar. Uma de nossas premissas, contudo, é evitar o lugar-comum. Sendo assim, não espere, ao longo das próximas semanas, histórias convencionais de amor, pois ele surgirá onde menos se espera, das formas que menos se espera, com as resoluções que menos se esperam. É o que faz Lucas, ao começar o ciclo retratando o amor divino e o amor mortal numa releitura do Hino da Pérola, texto gnóstico do século  2º. Com ares de narrativa mítica, acompanhe a história de “Nunca se esqueça” tendo em mente que amor, ainda que universal, assume as mais distintas e peculiares expressões culturais.

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“Jogos mentais”, de Lucas M. Carvalho

“Certo filósofo fala sobre um gênio maligno. É basicamente aceitar a existência de uma divindade que orquestra toda a realidade, mas considerar que ela é má. Ou seja, a motivação de tudo é maliciosa, um jogo sádico. As cores, os cheiros, o calor, o céu e a terra são ilusões feitas por ela. E se nós formos apenas joguetes desse ser?”

Você monta um quebra-cabeça. “Falta um pedaço dessa nuvem”, pensa. Vasculha entre as centenas de fragmentos até encontrar as curvas suaves e esbranquiçadas. É peça é perfeita. Mas não encaixa. Chega bem perto de se acomodar entre as frestas do todo. Mas não encaixa. Nessa hora, todos nos deparamos com o dilema: aceitar sua ineficácia em achar a peça certa ou acreditar que é o jogo que está errado. O conto de hoje me lembra essa situação. As peças parecem certas. Por que, então, não encaixam? Acompanhe conosco “Jogos mentais”, de Lucas M. Carvalho.

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“Quando eu contar até três”, de Lucas M. Carvalho

“Percebi que já era para estarmos em casa há muito tempo… Levantei a cabeça, as pessoas estavam nervosas. (suspiro) Perguntei pra minha mãe o que estava acontecendo. Ela disse que era só um problema no trem, e que logo voltaria a andar. (a voz falha, trêmula). Eu… Aconteceu tanta coisa. Sabe quando você sonha, sabe que sonhou, parece que foi ontem, mas não consegue lembrar direito? É como se tivesse uma névoa escurecendo a lembrança?  (respiração ofegante)(silêncio de oito segundos)”

Poucas semanas após a divulgação do caderno de P., um post de um usuário anônimo chamou à atenção no “Conspiracy”. Ele alegava trabalhar com seguros e disse que, havia sido convocado para inventariar um consultório que fora incendiado na Zona Sul do Rio. Livros, material eletrônico, móveis, tudo, segundo ele, estava em cinzas. Dentro, contudo, de um gravador algo obsoleto, ele encontrou uma fita intacta. O conteúdo, ele afirma, é uma sessão de terapia de uma das vítimas do “Incidente Glória” e foi transcrito na íntegra por Lucas M. Carvalho, dando início a série de relatos sobre o peculiar evento ocorrido nos metrôs cariocas há três anos.

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“Deutsch Geister”, por Lucas M. Carvalho

“Não foi difícil encontrar Hadrian nas notas de óbito dos jornais locais. 38 anos, morto dia 02 de Maio de 1974, há onze dias. Causa mortis: intoxicação alimentar. As ruas de Berlim podiam até ser insalubres no pós-guerra, mas hoje o próprio Exército Popular Nacional pode tomar medidas radicais contra desleixo e sujeira. Não compete a mim questionar, porém pela honra de meu trabalho eu realmente desejo que Hadrian tenha sido assassinado.”

Abrindo os arquivos criminais do Poligrafia, Lucas M. Carvalho nos leva à Berlim dos anos 70. Através da reconstituição dos arquivos do Agente Heinz Forkel, desvela-se o mistério em torno da suspeita morte do agente Ulbiricht.

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“Mosaico”, por Lucas M. Carvalho

“Larguei o livro. Olhei para a coluna em frente, perguntando-me se cada uma daquelas pedras seriam a própria totalidade da coluna, ou toda casa, ou toda Fez, ou o Marrocos, a África, o mundo. Se seria eu. Se seria eu em todos os lugares e em todos os tempos, e se eu estaria em cada uma daquelas peças, ou nos universos menores dentro delas.”

Estreando o Polistórias: Lugares, um colecionador de mosaicos perdido entre as páginas do enigmático Almakan nos conduzirá às ruas estreitas de Fez, Marrocos. Contemple conosco esse complexo Mosaico, de Lucas M. Carvalho, e não deixe de compartilhar suas experiências de viagem!

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Auspício, por Lucas M. Carvalho

Temple, por Dan Filimon. (Disponível em: http://www.deviantart.com/art/Temple-46180688)

“Um rio sem nome cruzava nossa frente e descia em cachoeiras por plataformas circulares que se repetiam. A correnteza vinha do flanco de uma montanha que mal se via no horizonte. Descemos pelas pedras escorregadias, nível por nível, e Alfredo da Cunha notou tal uniformidade que não poderia ser feita pela natureza: era um templo, ruínas que imitavam alguma estrutura cósmica que nos escapava à percepção.”

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