Star Wars: uma space opera

O universo da ficção é repleto de gêneros e subgêneros. Desde Aristóteles, quando os gêneros principais eram o épico, lírico e dramático, com suas funções e seus temas, sempre houve o desejo de criar categorias. Suponho que isso faça parte da necessidade humana de dominar aquilo que estuda, de subjugá-lo através do nome.  A partir do século XX, os gêneros se multiplicaram, as especificidades aumentaram, como um vício. Somente do gênero Cyberpunk, por exemplo, se desdobraram o steampunk, o teslapunk, o dieselpunk, clockpunk, biopunk, nanopunk, greenpunk e até weedpunk. Na fantasia, temos Espadas e Sandálias, Espada e Feitiçaria e por aí vai.

Recentemente um amigo fez uma pergunta curiosa, que foi mais ou menos assim: “Star Wars é ficção científica? Mas em Star Wars o som se propaga no espaço, a física é absurda, pessoas de planetas diferentes falam a mesma língua. O que tem de científico nisso?”. Certamente ele tinha uma concepção bem geral de “ficção científica”, e então a necessidade de tantos subgêneros passou a fazer um pouco mais de sentido para mim (mas não muito, a considerar que muitos dos próprios autores não estão nem um pouco preocupados com isso). De fato uma história como Star Wars é bem diferente de 2001 Uma Odisséia no Espaço, na proposta, nos temas, na “seriedade”. Apesar disso, ambos atendem às ideias gerais do que seria ficção científica, pois estão relacionados, de uma forma ou de outra, à tecnologia e ao futuro.

Histórias como Star Wars, Star Trek e Guardiões da Galáxia se encaixam num gênero chamado Space Opera. Não é necessário dizer muito, pois as características principais são evidentes. Apesar do nome, pouco tem a ver com um espetáculo de ópera: é na verdade uma referência ao termo horse opera, nome que se dava a antigos filmes de faroste, na época do cinema mudo. Portanto, pode-se dizer que Star Wars é uma space opera, dentro da ficção científica, dentro da ficção especulativa.

Esses gêneros, que são incontáveis, de certa forma nos ajudam a manter um panorama organizado daquilo que já foi produzido e virou tendência em diversas mídias.

A propósito, se sua atenção se prendeu nos nomes estranhos acima, sinto que devo convidá-lo a ler um conto meu publicado na antologia Teslapunk, da editora Madrepérola, e a descobrir o que é este subgênero:

PDF gratuito do livro:

Lançamento de Deslumbres e Assombros, de Lucas M. Carvalho

É com muito orgulho que nós, do Poligrafia, parabenizamos nosso autor, Lucas Carvalho pelo lançamento do livro Deslumbres e Assombros, ganhador do prêmio “Barco a vapor” do ano passado.

Autor de duas outras obras – Abaixo das Nuvens, de ficção científica, e O Espetáculo de Grimnlaud, de fantasia -, Lucas estreia agora no gênero infantil, em um livro cuidadosamente ilustrado por Rafa Anton.

Narrativa do gênero fantasia, Deslumbres e Assombros conta as aventuras de Naia, uma menina curiosa e atrevida por reinos inimagináveis. No Vilarejo, onde ela mora com os pais, tudo é agradável e perfeito, mas nenhum habitante se dá conta do privilégio que é viver lá por desconhecer o que há fora dele. Ou seja, o único mundo que conhecem é aquele, não havendo base de comparação. Naia, porém, é uma leitora e, como tal, um dia se questionará sobre o desconhecido. Movida por essa curiosidade, ela decidirá ultrapassar sozinha a fronteira de seu mundo, iniciando uma jornada fabulosa, que redefinirá as medidas do tempo e do espaço.

Se quiser adquirir o livro, já está disponível para compra em livrarias como a Saraiva.

Se quiser conhecer mais do autor, visite nossa seção autoral do site, clicando aqui.

Amadeus

Se eu precisasse indicar apenas um clássico do cinema neste site e não tivesse nunca mais a chance de falar sobre nenhum outro filme? Dá certa agonia pensar em favoritismo, ou ter que escolher apenas um melhor dentre gêneros, épocas e propostas diferentes. Mas depois de muito pensar, posso dizer que minha recomendação seria Amadeus.

Uma verdadeira obra de arte. Em atuação, em roteiro, em figurino. E principalmente em trilha sonora, toda formada por composições originais do gênio Wolfgang Amadeus Mozart, que é, não de forma injusta, considerado por muitos o maior músico que humanidade já conheceu.

O enredo foca em Salieri, um compositor da corte austríaca que dedicou a vida a expressar a vontade de Deus em sua música. Apesar de ter reconhecimento como artista, sua vida muda quando um jovem talentoso e irreverente chega a Viena. Mozart logo se torna o centro das atenções, criando obras de qualidade inalcançável, sem precisar ao menos se esforçar. Salieri sente, com todo o louvor que Mozart recebe, como se sua relevância estivesse completamente apagada.

Inveja e ciúmes. A exploração da psicologia de Salieri é intensa, sentimentos remoídos, que rodeiam uma misteriosa confissão de assassinato logo na primeira cena do filme.

Lançado em 1984, dirigido por Milos Forman, Amadeus foi vencedor de 9 Oscars.

A biografia de Mozart sempre foi cheia de mistério. Neste filme, apesar de alguns aspectos romanceados e a atuação excêntrica de Tom Hulce (que é incrível, por sinal), o filme nos permite conhecer mais sobre sua vida. Depois de ver o filme, vale a pena procurar outras obras, como romance de Cristian Jacq, Mozart, o Grande Mago, que aborda a biografia do compositor e sua conexão com a maçonaria.

Por Lucas M. Carvalho

Recapitulando III – Lucas M. Carvalho

Esse é um tempo de rever o que foi feito. Para quem faz o que gosta, especialmente se esse trabalho demanda tempo, esforço e paciência, o momento de recapitular ou “prestar contas a si mesmo” tem um significado poderosíssimo. Ver os frutos do trabalho traz certo orgulho.

O Poligrafia, projeto que começou com um grupo de produção e crítica literária que não tinha por objetivo publicar, mas fazer leituras mútuas em exercícios de escrita, hoje (24 de julho) tem 136 posts de conteúdo significativo, entre críticas, ensaios e, principalmente, ficção.

Vale lembrar que essas recapitulações, que encerram comigo, são um marco temporal para um projeto maior que virá em seguida, após um longo período de amadurecimento e experimentações. Vocês vão ver.

Vamos, então, rever as contribuições feitas mim. Como um dos autores do Caixas de Sobra, fui responsável por 20% dos episódios (se você ainda não conhece nossa série, já completa, vale a pena conferir). Nas colunas iniciadas recentemente, assumi um papel que pode ser chamado por alguns de crítico de cinema, apesar de eu considerar meus textos muitos mais dicas do que críticas propriamente ditas.  Eu prefiro indicar bons filmes menos conhecidos, ou clássicos esquecidos, e raramente me debruço sobre blockbusters recentes. Resumindo: se você gosta de cinema, tem de tudo um pouco.

Agora vamos à parte favorita: os contos, organizados por temas.

 

Regionalismos:

https://poligrafia.files.wordpress.com/2017/05/carvalho-desculpa-a-mc3a3o.pdf

Releituras:

https://poligrafia.me/2017/04/18/jade-nao-gosta-de-mentiras-por-lucas-m-carvalho/

Perspectivas:

https://poligrafia.me/2017/02/13/dupla-fenda-por-lucas-m-carvalho/

Amor:

https://poligrafia.me/2016/11/15/nunca-se-esqueca-de-lucas-m-carvalho/

Sci fi:

https://poligrafia.me/2016/09/05/jogos-mentais-de-lucas-m-carvalho/

Confinamento:

https://poligrafia.me/2016/07/25/quando-eu-contar-ate-tres-de-lucas-m-carvalho/

Lugares:

https://poligrafia.me/2016/05/16/mosaico-por-lucas-m-carvalho/

Policial:

https://poligrafia.me/2016/06/20/deusch-geister-por-lucas-m-carvalho/

Terror:

https://poligrafia.me/2016/04/11/auspicio-por-lucas-m-carvalho/

 

Vale registrar aqui o agradecimento a todos aqueles que têm acompanhado nosso trabalho e lido os textos que publicamos.

Recapitulando II: Luciano Cabral

Já que, até aqui, nós produzimos um bom punhado de histórias, resolvemos recapitulá-las em três partes. Pedro Sasse foi o primeiro a rememorar suas ficções e Lucas M. Carvalho será o último. Neste momento, sou eu, Luciano Cabral, quem tenho a palavra.

Quando decidimos criar o Poligrafia, tínhamos dois projetos em mente: 1. O Caixas de Sobra, um romance seriado escrito, em conjunto, por todos os autores do Poligrafia; e 2. Os Contos Temáticos, histórias criadas com base em temas. No fim das contas, escrevemos sobre nove temas: Terror, Mundo, Crime, Confinamento, Sci-Fi, Amor, Perspectivas, Releituras e Regionalismos.

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O Caixas de Sobra conta a história de um homem, de meia idade, que, após ter vivido entre caixas, produtos e entregas por tantos anos, decide largar sua família e carreira pra trás. Seu destino era construído a cada novo capítulo, mas seu passado sempre nos assombrava. Digo isso porque, escrito por cinco mentes, todos tínhamos que estar muito atentos ao conjunto pra que não houvesse contradições ou repetições. Esta empreitada nos ensinou a importância da comunicação. Foi preciso que estivéssemos em constante contato uns com os outros pra que pudéssemos entregar algo satisfatório. Além do mais, foi preciso aprender a ceder, pois o que se tinha construído num capítulo poderia ser desconstruído em outro.

Em comparação, os Contos Temáticos foram criações individuais. Havia um tema, previamente proposto, mas a história era escrita isoladamente, cada um produzia a sua.

O conto de Terror que escrevi, “Carne de Bicho, Carne de Gente”, emerge numa sociedade distópica, onde os personagens carnívoros valem-se de outros meios (não mais de procedência animal) pra conseguir carne.

O conto “Via Dolorosa”, pro tema Mundo, reconta os passos de Maria, Salomé e Madalena pelas treze estações da cruz, após a morte de Jesus Cristo. A história, do início ao fim, é contada através do diálogo das três personagens, como uma peça teatral, porém sem as rubricas.

Em “Eu Sei Que Não”, escrito pro tema Crime, um psicopata quer, a todo custo, transformar um heterossexual em homossexual. Pra isso, ele acorrenta sua vítima e discursa sobre as vantagens de ser obediente.

No tema Confinamento, nós decidimos que haveria um ambiente comum – um vagão de metrô – e um situação misteriosamente mortal a ser enfrentado. O meu conto “Momentos Felizes que Foram Devorados”, explorou a saga de um casal de músicos itinerantes. Desaparecimento, fumaça, barulhos inexplicáveis e conflitos humanos culminam num desfecho alucinatório de muitas dúvidas e poucas respostas.

No tema Sci-Fi, “Ovelhas Elétricas” foi escrito como um certo spin-off de Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? [ou Blade Runner]. Uma mistura de terceira e primeira pessoa, o conto concentra-se em uma androide que precisa dominar sua capacidade de seduzir humanos pra conseguir sobreviver entre eles.

“Ainda Não”, escrito pro tema Amor, mescla personagens literários e cinematográficos, filósofos, uma prostituta e um cliente que parece não estar ali em busca de sexo. Escrito em formato de peça teatral, o conto oferece momentos tristes e cômicos.

No tema Perspectivas, eu direcionei meus holofotes pra religião mais uma vez. O conto “Tentação”  ficcionaliza o encontro entre Jesus e o Diabo. Desta vez, no entanto, é o Diabo que traz sua versão da tentação. Segundo ele, é Jesus que, querendo se promover a qualquer custo, mente e espalha todo tipo de injúria contra alguém que estava apenas tentando descansar em paz.

As Releituras que fizemos de outras histórias me rendeu o conto “O Chapéu Novo de Amélia”. Revisitando a famosa narrativa de Chapeuzinho Vermelho, eu apresentei uma menina bem esperta – e mimada – que foi capaz de sacrificar a própria avó pra obter um chapéu novo como presente de aniversário. Vários dos elementos da história tradicional foram mantidos, mas o plano de Chapeuzinho, entra como um componente surpreendente na minha versão.

Por fim, pro Regionalismos, publiquei um conto de pescador que havia escrito anos atrás. “A Pedra da Tristeza” reúne causos sobre o mar, tarrafas, conselhos e um menino que, de tanto esperar o pai voltar, transforma-se em pedra – e em lenda.

Faz pouco tempo, também começamos a escrever, em pequenas colunas quinzenais, sobre Cinema, Jogos e Escrita. A parte que me cabe é esta última. Nas minhas colunas, falo do ato de escrever, de textos literários atemporais e de abordagens narrativas, por exemplo.

Pra vasculhar os meus textos aqui no Poligrafia, basta clicar nos títulos que aparecem aí em cima.

 

Quem pode morrer em Far Cry?

Calma, não se trata de uma coluna de spoilers. Eu quero falar sobre aqueles que recebem as milhares de balas disparadas pelos protagonistas da franquia Far Cry.

Comecemos entendendo o título e a proposta geral do jogo: Far Cry (do inglês far, distante, e cry, choro, grito, clamor) constitui uma série de games multiplataforma de tiro em primeira pessoa de mundo aberto, normalmente ambientado em cenários exóticos. Começa com o primeiro Far Cry, em que o jogador é Jack Carver, ex-soldado das forças especiais americanas, que acaba em uma misteriosa ilha da América do Sul para resgatar uma jornalista sequestrada. Em Far Cry 2, os jogadores escolhem entre nove possíveis protagonistas o mercenário que será responsável por tentar abater The Jackal, um imparável negociante de armas em uma guerra civil ficcional na África. Para Far Cry 3, temos Jason Brody, um jovem e rico turista americano de férias em uma ilha exótica entre os oceanos índico e pacífico, que se vê sequestrado por um grupo de piratas e, após fugir, começa uma jornada para salvar seus amigos. Por último (não vou tratar dos jogos paralelos da franquia), temos Far Cry 4, em que Ajay Ghale, um americano de descendência Kyratiana (país fictício no Himalaia), prometendo levar as cinzas de sua mãe para a terra natal dela, acaba se envolvendo em uma guerra civil pela libertação do povo das garras do ditador Pagan Min.

Com exceção do segundo jogo dessa sequência, em que o jogador podia optar entre personagens de diferentes nacionalidades, o game mantém uma mesma estrutura: um americano acaba, por motivos diversos, em algum país distante, ficcional mas não menos estereotipado, em que, para salvar o dia, precisará, cedo ou tarde, exterminar um sem fim de capangas étnicos. Não me entenda mal, é tudo muito bem produzido: os cenários são espetaculares, o enredo é bem amarrado e os personagens centrais são carismáticos (normalmente não o protagonista…). E no final das contas, mesmo a frequência na estrutura segue a lógica que dá título ao jogo, o choro precisa ser distante de casa.

Isso não é novidade do Far Cry, claro. Voltando à época em que GTA conseguia ainda ser um jogo polêmico, um dos contornos clássicos para o problema da incitação à violência estava intimamente relacionado à identidade. Carmageddon, quando lançado, foi rapidamente barrado pela patrulha moralista de alguns países e, para evitar o cancelamento do título, substituiu os humanos atropelados por zumbis ou robôs.  Lembremos, no entanto, que, para os gráficos da época, isso significava uma diferença de cor nos parcos polígonos do precário 3d, não muito mais. Aliens também serviam. Se a questão, no entanto, era manter o realismo, o problema era um pouco maior, não havia como substituir em um game de guerra realista, humanos por algo não humano… Solução? Alteridade. O problema não era exatamente o humano, mas o humano com o qual o público poderia simpatizar. Soviéticos, árabes, vietnamitas, quanto mais exóticos mais fácil passavam pelo filtro da censura.

Há, ainda, vantagens econômicas no uso da mão de obra estrangeira virtual: aos olhos mal treinados do público de primeiro mundo, uma etnia pode ser sintetizada em uma ou duas skins, reduzindo o gasto de produção de texturas e modelos 3d. O mesmo vale para dublagens: três ou quatro frases alternadas em um idioma estrangeiro passam como todo um idioma para ouvidos leigos.

E os usos não são restritos aos computadores: a literatura, principalmente a de entretenimento, acaba usando também o outro como um mal mais facilmente justificável. A coisa fica mais sutil, mas ainda funciona. Pensemos em um livro que eu gosto muito, O senhor dos anéis. Linguista de primeira, Tolkien pensou cada mínimo aspecto da língua (e por consequência cultura) das variadas raças que povoam a Terra Média. A história é maniqueísta, bem maniqueísta. Tem um lado bom e tem um lado mau. Do lado bom tem gente um pouco má, mas ainda são bons se comparados aos maus e do lado mau tem figuras trágicas que podem inspirar compaixão, mais ainda são maus.  O lado bom é composto pelos brancos: Os homens e hobbits, bem saxões, os elfos e suas raízes celtas, e os anões suspeitamente inclinados para os judeus. O lado mau é composto pelos não-brancos: os easterlings, consideravelmente árabes, e os orcs, cuja descrição eu deixarei para Tolkien – The Orcs are definitely stated to be corruptions of the ‘human’ form seen in Elves and Men. They are (or were) squat, broad, flat-nosed, sallow-skinned, with wide mouths and slant eyes: in fact degraded and repulsive versions of the (to Europeans) least lovely Mongol-types.

Meu ponto não é entrar na questão do racismo, mas mostrar como é mais fácil, mais tolerável, mais digerível, encarnar as ameaças da ficção na pele de um outro, cujo comportamento, tão diferente do nosso, não incentiva em nós o exercício da empatia. Sem essa possibilidade de identificação, a oposição fica mais simples: nós somos os bons, eles são os maus. E aqui entra o motivo de toda a coluna: esse clamor distante representado por Far Cry, essa alteridade ameaçadora que é combatida a cada jogo da franquia, agora aponta para um caminho inesperado. Subitamente (talvez nas marés de um EUA que elegeu Trump), o cenário o muda. O quinto game da série não segue a tradição do inimigo estrangeiro, mas traz o mal para o berço de sua casa: uma cidade em Montana tomada por extremistas cristãos.

As polêmicas já começaram. Ao ver o sangue virtual do próprio povo, as sensibilidades rapidamente se aguçam, como vemos nessa notícia.

Esse é um jogo que eu não pretendo perder.

Concursos literários abertos

Vivemos uma época curiosa no meio literário: mais do que nunca, há, hoje, oportunidades para que todos os aspirantes a escritor coloquem suas ideias no papel, divulguem e publiquem. Ao mesmo tempo, o fenômeno dos best-sellers e o fortalecimento das megalivrarias torna nossa época uma das mais cruéis ao novo escritor. Paradoxal a primeira vista, a situação é um ótimo exemplo da liquidez que o sociólogo polonês Zygmunt Bauman vê na sociedade contemporânea.  É difícil ser um escritor hoje justamente por que é fácil ser um escritor hoje. Quando milhares de livros são publicados todos os dias (contando só os de papel) por centenas de pequenas editoras, somos arrastados por uma tsunami de obras que afoga qualquer possibilidade de um critério razoável de escolha. Se fôssemos apenas ler a sinopse de todas essas obras, ao tempo de terminarmos, outras tantas já haveriam sido publicadas. Resultado: terceirizamos nossos critérios, deixando nas mãos dos formadores de opinião o trabalho de selecionar por nós. Indicações de amigos contam, mas o pilar é a vitrine das livrarias de shopping, as obras adaptadas pelo cinema, os escritores que dão entrevista na TV ou que são resenhados por qualquer youtuber de destaque.

Nesse sentido, de quê exatamente vale a publicação da obra (principalmente naquelas modalidades de autopublicação que vem se popularizando)? Quem lê? De que adianta uma tiragem que empoeira em caixas a espera de seu lugar ao sol?

Um bom começo é, talvez, a busca por um (ainda que arbitrário) reconhecimento. A participação de concursos literários é uma prática ótima para aqueles que querem seguir o ramo da escrita. Num mundo de valor quantitativo, medido em likes e views, eles nos oferecem um valor qualitativo, uma leitura menos corrida, uma avaliação que foge à superficialidade do “adorei!”. Ainda possibilitam publicação, muitas das vezes gratuita, um ótimo começo para ver seus textos estampados em um livro.

Separamos, hoje, assim, quatro concursos para aqueles que querem colocar sua literatura à prova. Fizemos uma seleção prévia entre diversos que estão abertos no momento, optando por aqueles que: (I) têm inscrição gratuita e online; (II) são abertos a todo o país; (III) oferecem publicação como possibilidade de prêmio.

3º concurso cultural de microcontos (IFSP): http://microcontosifsp.wixsite.com/ifsp/blank-1

Concurso literário de escritores lourencianos: http://celliteraturaemsaolourencodosul.blogspot.com.br/2016/08/concursos-literarios-do-centro-de.html

Prêmio literário UCCLA: http://www.uccla.pt/sites/default/files/regulamento_premio_literario_uccla_2016_17_.pdf

E por último, o prêmio Mark Wertz, da Millenium Books, está bem interessante. Além de atender aos critérios de facilidade já elencados, esse concurso oferece diversas categorias de participação e diversos benefícios para os ganhadores, como publicação, contrato, noite de entrevistas, adaptação para outras mídias e workshop. Ótima oportunidade:
http://www.markwertz.com/

Ao trabalho!

Seção Autoral

Temos novidade! Agora, em adição ao material produzido durante nossos projetos, você poderá acompanhar a produção paralela dos autores do blog também no Poligrafia. Na seção autoral, os autores do site poderão publicar suas resenhas, contos, reflexões e qualquer outro tipo de produção artística/crítica. Por mais que não esteja vinculada diretamente aos projetos do grupo, a seção é uma ótima maneira de conhecer um pouco sobre outro lado de nossos autores. Confira:

Gabriel Sant’Ana

Jonatas T. Barbosa

Lucas M. Carvalho

Luciano Cabral

Pedro Sasse

O que nos faz escrever bem: inspiração ou técnica?

Blank Pages, por “Andrahilde”. (Disponível em: http://andrahilde.deviantart.com/art/Blank-Pages-182674359)

por Luciano Cabral

 

A pergunta que faço hoje tem origem numa dicotomia instigante, embora espinhosa: escrever bem é fruto de inspiração ou técnica? Ou posso perguntar, mais filosoficamente, deste modo: nascemos escritores ou nos tornamos escritores?

No poema Theogonia, de Hesíodo, as Musas são personificações da memória absoluta (por transmitirem o passado) e da criatividade e imaginação (por conhecerem o futuro). Por esta razão, elas eram constantemente invocadas pelos poetas em suas narrativas, pois tinham o poder de inspirá-los e fazê-los produzir belos poemas.  Em A Odisséia, Homero abre seu poema épico pedindo à Musa que reconte os feitos de Odisseu e Camões, em Os Lusíadas, pede ajuda às ninfas do Rio Tejo, as Tágides (por ele assim nomeadas), para que possa contar as peripécias lusitanas. Notemos que a invocação é por inspiração. Nada se fala de técnica.

Quem falou de técnica literária, de forma objetiva (e creio eu, bem feita) foi Edgar Allan Poe, em 1846. Ele não invocou a técnica em poesias, mas tratou dela em um ensaio sobre um poema seu bem conhecido, O Corvo. No ensaio, Poe revela cada passo que deu ao escrever seu poema e defende que produzir literatura é uma questão de escolha (leia-se, técnica) e não de inspiração: “Dentre os inúmeros efeitos ou impressões a que são suscetíveis o coração, a inteligência ou, mais geralmente, a alma, qual irei eu, na ocasião atual, escolher?”.

Alguns de nós podem dizer que a inspiração per se não traz benefícios. Outros que inspiração é tudo o que há no momento de criação literária. Há ainda os que alegam que a disciplina substitui a inspiração. Há outros de nós ainda que pensam que a técnica per se é fria e dada a fórmulas que, ao invés de inovar, promove repetições insossas e infinitas.

Se escrever literatura for consequência de uma genialidade (como pensavam os poetas românticos), então, aos que acham que não nasceram escritores, eu tenho um conselho: nem tentem. Mas se o fazer literário for mais do que ser inspirado por musas, então temos a chance de adentrar o mundo literário. Talvez não seja nem inspiração nem técnica. Ou  talvez seja os dois.

O que você acha? Intrometa-se.

Concursos Literários I

books concursos literários poligrafia.jpgSe para Emily Dickinson, o desejo de escrever não era necessariamente seguido do desejo de tornar público, para muitos escritores, há algo que importa tanto quanto a invenção de uma boa história: poder publicá-la. É assim que os concursos literários tornam-se locais mais que apropriados para divulgar a escrita criativa. E dois destes concursos estão com inscrições abertas até o fim deste mês para contos, poesias e crônicas.

Um deles é o Prêmio Maria José Maldonado de Literatura, promovido pela Academia Volta-redondense de Letras, na região sul fluminense do Rio de Janeiro. As inscrições vão até 30 de abril. Se você é poeta ou contista, clique aqui e participe. Não há cobrança de taxa. As inscrições são feitas por email e o prêmio é ter seu texto publicado em uma antologia virtual.

O segundo concurso, também com inscrições até 30 de abril, é promovido pela secretaria de cultura do município de Presidente Prudente, no interior de São Paulo. Neste, além de poetas e contistas, também podem participar cronistas. Sem exigir taxa de inscrição, o prêmio oferece publicação impressa aos vencedores. Se quiser saber mais e participar, clique aqui.

Por hora, estes são os concursos com inscrições até o fim de abril. Em breve, daremos novas notícias.

E não esqueçam de ler, comentar e sugerir no Poligrafia. Intrometa-se!