“Retorno para ti”, de Gabriel Sant’Ana

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“Sr. Banvu, demonstrações de nervosismo, mesmo para pessoas da sua idade, são um sério sinal. Seria melhor, para o próprio encaminhamento das investigações, que o senhor cooperasse, inicialmente se acalmando. Os mais nervosos são sempre mais difíceis e nos forçam ao que não seria necessário. Veja estas fotos. Consegue nos dizer o que o senhor conversava com este homem? Ou se lembrar do que conversavam?”

Após uma longa jornada de cinco semanas pelo globo, enfim pousamos em Cabinda, Angola, nosso destino final. Gabriel Sant’Ana traz, em “Retorno para ti” a imagem de um país marcado pela violência, um conto sobre poder e impunidade.

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“O barqueiro de Vostok”, de Pedro Sasse

“O vento anuncia o fim da contemplação. Traz consigo os setenta graus negativos que se estenderão ao longo dos meses seguintes, podendo piorar. Na minha frente, a única luz acesa na estação parece perder força diante da escuridão, como se a lâmpada, de súbito, houvesse virado uma chama fraca de lampião. O frio inunda meus pulmões enquanto me apresso em direção aos alojamentos. As instalações, antes mínimas, espremidas entre a vastidão de um continente vazio, agora se avolumam conforme o mundo perde seus limites, conforme a caixa termina de se fechar.”

Ainda em clima gelado, saímos do norte de “Mikhail recebe uma carta” em direção ao extremo sul do planeta. Na pequena e isolada estação de pesquisa soviética na Antártida, Pedro Sasse contará a história d’O barqueiro de Vostok.

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“Mikhail recebe uma carta”, por Jonatas T. Barbosa

“Em período de paz o sol não nascia naquele lado do mundo. Era como se aquelas terras frias houvessem mergulhado num fluído negro e fossem assim esquecidas pelo céu.”

O calor do oriente médio parte e com ele partem a Fez de “Mosaico” e a Jerusalém de “Via Dolorosa”. Em meio a neve, conheça a Sibéria de Jonatas T. Barbosa em “Mikhail recebe uma carta”.

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“Mosaico”, por Lucas M. Carvalho

“Larguei o livro. Olhei para a coluna em frente, perguntando-me se cada uma daquelas pedras seriam a própria totalidade da coluna, ou toda casa, ou toda Fez, ou o Marrocos, a África, o mundo. Se seria eu. Se seria eu em todos os lugares e em todos os tempos, e se eu estaria em cada uma daquelas peças, ou nos universos menores dentro delas.”

Estreando o Polistórias: Lugares, um colecionador de mosaicos perdido entre as páginas do enigmático Almakan nos conduzirá às ruas estreitas de Fez, Marrocos. Contemple conosco esse complexo Mosaico, de Lucas M. Carvalho, e não deixe de compartilhar suas experiências de viagem!

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Polistórias: Lugares

Vale da Morte, por Esudroff. (Disponível em: https://pixabay.com/pt/vale-da-morte-calif%C3%B3rnia-1372714/)

Vale da Morte, por Esudroff. (Disponível em: https://pixabay.com/pt/vale-da-morte-calif%C3%B3rnia-1372714/)

Uma das vantagens da literatura é, definitivamente, seu poder de imersão. Sentir o vento frio das estepes de Tchekhov, o cheiro forte da fumaça industrial de Dickens, os encantos da corte japonesa em Murasaki Shikibu. Defensor de uma arte cada vez mais ofuscada pelos brilhos sedutores da mídia visual – ainda que um defensor suspeito –, digo que, se o cinema e TV tem o poder de mostrar a superfície do mundo, só a literatura é capaz de resgatar, ainda que seja um fragmento, da experiência de viver: por trás da chuva fina, as memórias; por trás da velha cozinha, os cheiros; por trás da imensidão da natureza, o profundo silêncio.

O mundo é pequeno perto daquele que construímos em nossa imaginação. Para um grande sertão, quantas veredas não se abrem em nossas leituras? Quantas Esquérias cabem nas odisseias da fantasia? Que lugares constituem a geografia da imaginação?

Nessa segunda edição do projeto Polistórias, buscamos explorar o distante. Oferecer ao leitor – e a nós mesmos – um pouco desse mundo que só a literatura é capaz de expressar. Cinco contos ambientados em cinco países distantes do globo, com suas próprias histórias e culturas, suas próprias formas de ver o mundo e expressá-lo. Sob o título de Lugares, buscamos que essa edição conte histórias em que o espaço assume um papel crucial, tão ou mais protagonista que os próprios personagens. Siga conosco essa jornada e não deixe de compartilhar suas experiências nesse grande mundo cujo chão é decorado de palavras.

Boa leitura!