“Tentação”, por Luciano Cabral

“do lugar de onde eu tinha vindo, a temperatura não era como ali, nem a paisagem era tão bonita, por isso, eu me perdi em pensamentos, sentindo o vento, vendo aquilo tudo, era tão calmo e tão pacífico que eu peguei no sono ali mesmo, na grama”

Existe um conto japonês chamado “Dentro de um bosque”. Nele, um assassinato ocorre no bosque. Temos acesso apenas aos depoimentos. Todos contraditórios. Nenha prova, nenhum rastro, apenas vozes discordantes tensionando a realidade. Quando a verdade é completamente inacessível, o que resta? Muitas verdades ou nenhuma delas? Ou apenas escolhemos a narrativa mais confortável? Quem sabe deixamos que escolham uma delas para nós… “Tentação”, em poucas palavras, nos convida a refletir mesmo diante dos sólidos discursos da tradição ocidental…

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“Dupla Fenda”, por Lucas M. Carvalho

“Precisava decidir. Cabia a ele, o alfa, escolher se seguiriam para a terra verde ou se desceriam o rio. Em direção à terra verde poderiam desfrutar de animais e sombra. Pelo rio teriam água e peixes. Não sabia em qual dos dois haveria predadores. Não sabia em qual dos dois haveria bandos hostis. Neste momento, no instante imediato antes de tomar a decisão, cai o pano e a história termina”.

Um dos mais seduzentes poderes da histórias é a ideia da causalidade.  Ainda que hoje a disciplina venha mudando suas concepções, por muito tempo vimos o passado da civilização como uma narrativa bem encadeada, em que cada evento colaborou para a existência do seguinte, como uma grande trilha de peças de dominó. Mas, e se, de fato, toda nossa realidade dependesse de uma única decisão, de uma única bifurcação no caminho do homem certo no ponto certo da existência do universo? No conto de hoje, Lucas M. Carvalho explora as possibilidades da história da civilização, da história e do tempo.

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