“Espiral amarela”, por Pedro Sasse

“Seus dedos ingênuos passeiam pelo material orgânico, deixando marcas no chão. Aquilo lhe dá enorme prazer. A descoberta do poder criativo. Faz sucessivos riscos no chão. É capaz de romper a uniformidade do mundo com apenas um dedo. Alguém chega e carrega-o para longe de sua obra. Mas está consumado. Refinou por anos seu prazer.Continuar lendo ““Espiral amarela”, por Pedro Sasse”

“Praia do urso”, por Jonatas T. Barbosa

“Marie despertou vomitando água salgada que escapulia pelo nariz e sentindo o fedor de pelo molhado. Não sabia quanto tempo se passara, mas já estava escuro. A lua minguava como uma lâmina. Ela sentia apena dor de cabeça. O resto do corpo parecia ileso. Passou a mão pela barriga, flanco e coxas. As pernas estavamContinuar lendo ““Praia do urso”, por Jonatas T. Barbosa”

“Carne de Bicho, Carne de Gente”, por Luciano Cabral

“Rebeca nota o rosto úmido do filho, “Davi estava chorando?”, seca suas lágrimas com a bainha da blusa, “estava”, “por quê?”, “fome, como todos nós”, as duas entram na cozinha, Bartolomeu pega o cachimbo que havia deixado na poltrona, dá uma tragada e vai sentando vagarosamente na poltrona, “eles vão dar um jeito, como sempre,Continuar lendo ““Carne de Bicho, Carne de Gente”, por Luciano Cabral”

“Cuidado, piso molhado!”, por Gabriel Sant’Ana

“(…) Existem várias formas, maneiras de se matar alguém. Não perderia tempo estudando medicina, de que adianta saber os nomes dos músculos, ossos, veias, se o que importa mesmo é o sofrimento da vítima? Aquele shopping, aquelas pessoas, aquela situação, aquele ar condicionado, aquele médico, aquele trem, aquela sua casa, aqueles seus parentes, seus vizinhos.” DandoContinuar lendo ““Cuidado, piso molhado!”, por Gabriel Sant’Ana”

Auspício, por Lucas M. Carvalho

“Um rio sem nome cruzava nossa frente e descia em cachoeiras por plataformas circulares que se repetiam. A correnteza vinha do flanco de uma montanha que mal se via no horizonte. Descemos pelas pedras escorregadias, nível por nível, e Alfredo da Cunha notou tal uniformidade que não poderia ser feita pela natureza: era um templo,Continuar lendo “Auspício, por Lucas M. Carvalho”

Polistórias: Terror

A noite caiu sobre o Poligrafia, e as sombras de nossos pesadelos espreitam as janelas.  O medo inaugura nossa sessão temática, homenageando o gênero que, seja através de Poe, Lovecraft ou Stephen King, foi capaz de permanecer no imaginário popular por mais de um século. O tema: terror. A única regra: evitar o óbvio, o lugarContinuar lendo “Polistórias: Terror”