“Espiral amarela”, por Pedro Sasse

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Spiral, por Mazzicc. (Disponível em: http://mazzicc.deviantart.com/art/Spiral-9862567)

“Seus dedos ingênuos passeiam pelo material orgânico, deixando marcas no chão. Aquilo lhe dá enorme prazer. A descoberta do poder criativo. Faz sucessivos riscos no chão. É capaz de romper a uniformidade do mundo com apenas um dedo. Alguém chega e carrega-o para longe de sua obra. Mas está consumado. Refinou por anos seu prazer. A grande virada foi descobrir o sangue. Ocorrera há poucos meses. Um dos funcionários, em surto, morde o próprio punho até arrancar a carne. O sangue flui, colorindo com intensidade e eficácia o tom uniforme do mundo. Com seu dedo traça um círculo, a figura proibida, só presente em perfeição nos olhos.”

Após quatro semanas aterrorizantes, chegamos por fim à última edição do Polistórias de Terror. Nesse encerramento do tema, prepare-se para aventurar-se pelo mundo geométrico de SS e sua intrigante fixação pela espiral amarela.
Se você não viu os anteriores, atualize-se, clique aqui para aproveitar as cinco histórias desse tema fascinante. Se já viu, é uma oportunidade de reler ou mostrar para os amigos.

A partir da próxima segunda teremos o lançamento de nosso segundo tema e a chamada para que vocês nos ajudem a decidir qual será a terceira temática de nosso projeto.

 

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“Praia do urso”, por Jonatas T. Barbosa

“Rabbit”, por Szigeti Vajk Istvan. (Disponível em: http://vajk.deviantart.com/art/Rabbit-29567369)

“Marie despertou vomitando água salgada que escapulia pelo nariz e sentindo o fedor de pelo molhado. Não sabia quanto tempo se passara, mas já estava escuro. A lua minguava como uma lâmina. Ela sentia apena dor de cabeça. O resto do corpo parecia ileso. Passou a mão pela barriga, flanco e coxas. As pernas estavam livres, mas dormentes. Tentou mover uma a uma, elas não respondiam. Continuavam imóveis.”

Os ponteiros se aproximam de meia-noite e surge das sombras o penúltimo conto de nossa série Terror. Sucedendo “Carne de Bicho, Carne de Gente”, de Luciano Cabral, Jonatas T. Barbosa nos apresenta “Praia do urso”. Acompanhe conosco a história de Marie e seu curioso bestiário vegano.

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“Carne de Bicho, Carne de Gente”, por Luciano Cabral

Kissing me like benzocaine, de Bailey Elisabeth. (Disponível em: http://bailey–elizabeth.deviantart.com/art/kissing-me-like-benzocaine-117556905)

“Rebeca nota o rosto úmido do filho, “Davi estava chorando?”, seca suas lágrimas com a bainha da blusa, “estava”, “por quê?”, “fome, como todos nós”, as duas entram na cozinha, Bartolomeu pega o cachimbo que havia deixado na poltrona, dá uma tragada e vai sentando vagarosamente na poltrona, “eles vão dar um jeito, como sempre, meu avô contava, e disso eu lembro, ele contava que, quando a carne dos bichos acabou, teve briga, teve revolta, teve incêndio, mas acharam como conseguir outra carne”

O que estão achando das polistórias de terror? Os pesadelos já começaram? Se não, talvez Rebeca e sua família possam te ajudar com isso… Sucedendo o “Cuidado, piso molhado!”, de Gabriel Sant”Ana, acompanhe conosco “Carne de Bicho, Carne de Gente”, um conto para abrir o apetite.

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“Cuidado, piso molhado!”, por Gabriel Sant’Ana

Dubai Mall, por Kris K.G. (Disponível em: http://lostknightkg.deviantart.com/art/Dubai-Mall-172455252)

“(…) Existem várias formas, maneiras de se matar alguém. Não perderia tempo estudando medicina, de que adianta saber os nomes dos músculos, ossos, veias, se o que importa mesmo é o sofrimento da vítima? Aquele shopping, aquelas pessoas, aquela situação, aquele ar condicionado, aquele médico, aquele trem, aquela sua casa, aqueles seus parentes, seus vizinhos.”

Dando continuidade ao tema Terror iniciado na semana passada com Auspício, de Lucas M. Carvalho, o Poligrafia traz uma perturbadora história pelas mãos de Gabriel Sant’Ana. Depois de ler “Cuidado, piso molhado!”, as praças de alimentação e banheiros de shopping centers com certeza não serão vistos da mesma maneira…

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Auspício, por Lucas M. Carvalho

Temple, por Dan Filimon. (Disponível em: http://www.deviantart.com/art/Temple-46180688)

“Um rio sem nome cruzava nossa frente e descia em cachoeiras por plataformas circulares que se repetiam. A correnteza vinha do flanco de uma montanha que mal se via no horizonte. Descemos pelas pedras escorregadias, nível por nível, e Alfredo da Cunha notou tal uniformidade que não poderia ser feita pela natureza: era um templo, ruínas que imitavam alguma estrutura cósmica que nos escapava à percepção.”

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Polistórias: Terror

Terror – por R-Y-A. Disponível em: http://r-y-a.deviantart.com/gallery/

A noite caiu sobre o Poligrafia, e as sombras de nossos pesadelos espreitam as janelas.  O medo inaugura nossa sessão temática, homenageando o gênero que, seja através de Poe, Lovecraft ou Stephen King, foi capaz de permanecer no imaginário popular por mais de um século. O tema: terror. A única regra: evitar o óbvio, o lugar comum, os monstros de sempre, os lugares de sempre. Da proposta nascem cinco contos estranhos, explorando as mais heterogêneas possibilidades de amedrontar (ou ao menos relembrar os bons tempos de Mestre dos Desejos nas madrugadas da TV aberta).

Boa leitura!