Recapitulando III – Lucas M. Carvalho

Esse é um tempo de rever o que foi feito. Para quem faz o que gosta, especialmente se esse trabalho demanda tempo, esforço e paciência, o momento de recapitular ou “prestar contas a si mesmo” tem um significado poderosíssimo. Ver os frutos do trabalho traz certo orgulho.

O Poligrafia, projeto que começou com um grupo de produção e crítica literária que não tinha por objetivo publicar, mas fazer leituras mútuas em exercícios de escrita, hoje (24 de julho) tem 136 posts de conteúdo significativo, entre críticas, ensaios e, principalmente, ficção.

Vale lembrar que essas recapitulações, que encerram comigo, são um marco temporal para um projeto maior que virá em seguida, após um longo período de amadurecimento e experimentações. Vocês vão ver.

Vamos, então, rever as contribuições feitas mim. Como um dos autores do Caixas de Sobra, fui responsável por 20% dos episódios (se você ainda não conhece nossa série, já completa, vale a pena conferir). Nas colunas iniciadas recentemente, assumi um papel que pode ser chamado por alguns de crítico de cinema, apesar de eu considerar meus textos muitos mais dicas do que críticas propriamente ditas.  Eu prefiro indicar bons filmes menos conhecidos, ou clássicos esquecidos, e raramente me debruço sobre blockbusters recentes. Resumindo: se você gosta de cinema, tem de tudo um pouco.

Agora vamos à parte favorita: os contos, organizados por temas.

 

Regionalismos:

https://poligrafia.files.wordpress.com/2017/05/carvalho-desculpa-a-mc3a3o.pdf

Releituras:

https://poligrafia.me/2017/04/18/jade-nao-gosta-de-mentiras-por-lucas-m-carvalho/

Perspectivas:

https://poligrafia.me/2017/02/13/dupla-fenda-por-lucas-m-carvalho/

Amor:

https://poligrafia.me/2016/11/15/nunca-se-esqueca-de-lucas-m-carvalho/

Sci fi:

https://poligrafia.me/2016/09/05/jogos-mentais-de-lucas-m-carvalho/

Confinamento:

https://poligrafia.me/2016/07/25/quando-eu-contar-ate-tres-de-lucas-m-carvalho/

Lugares:

https://poligrafia.me/2016/05/16/mosaico-por-lucas-m-carvalho/

Policial:

https://poligrafia.me/2016/06/20/deusch-geister-por-lucas-m-carvalho/

Terror:

https://poligrafia.me/2016/04/11/auspicio-por-lucas-m-carvalho/

 

Vale registrar aqui o agradecimento a todos aqueles que têm acompanhado nosso trabalho e lido os textos que publicamos.

Polistórias: Amor

Amor é uma questão, sem dúvida. Para os gregos, parecia ser fundamental, tanto que cunharam, logo de cara, quatro palavras diferentes (e eles tem mais) pra não faltar amor para ninguém. Aqueles que sempre estão por perto nos momentos de aperto, aqueles que abraçam apertado, que sempre aparecem nas fotos com grandes risos e grandes lágrimas, que abrem a geladeira sem precisar pedir, todos esses são do grupo da Philia. Para os beijos roubados debaixo de uma árvore, para o suor frio e o suor quente, para aquela mistura de dor e felicidade, para o acordar, olhar para o lado e sorrir, esses são o Eros. No Stergo ficam os incompreensíveis sentimentos de união entre o tio chato que pergunta sobre os namoros, a vó que dá meias de presente de natal, o insuportável irmão mais velho e aquele cachorro meio cego há treze anos na família. Agora, se a coisa vai além das idas e vindas do coração, se é aquele que nasce pequeno lá no fundo da alma e inunda a gente de um sei lá o quê que dá até calafrio, se o sentido é plena devoção, aí você está na sublime presença do Ágape, aquele que quebra a vontade do homem.

Para nós, novos latinos, a situação é menos conceitual e mais pragmática. Vamos usando a palavra conforme a necessidade, sem economia desnecessária. Num dia é eu amo chocolate quente, e no outro Como Deus amou o mundo de tal maneira. Dizemos eu te amo para o irmão, para a irmã, para a amigo, para a avó e para o amante. Sem perceber, sempre fomos um pouco afins ao poliamor, jogando nas mesmas quatro letras todo objeto de nossa afeição.

Não é de se estranhar, assim, que os poetas vivam ensaiando nos seus versos a definição sempre imprecisa desse metamorfo sentimento. Basta uma tentativa de apreensão para que surja, em um prédio cinza perdido na multidão de concreto da cidade, um coração solitário que resolva cair de amores pela Lua. Ou por um quadro. Ou por aquela pessoa que só vimos uma vez num sonho, ou à primeira vista, mas que nunca conseguimos esquecer. Aí já era. O sentido do amor fugiu outra vez.

Nesse ciclo do Polistórias, escreveremos tendo isso em mente. Da mais careta à mais inusitada situação, empreenderemos a frustrada missão de representar a pluralidade dessa gigantesca palavra chamada amor.

Poligrafia Revista – Ed. 04

capaed04A quarta edição do Poligrafia Revista já está disponível. Nesse número, trazemos cinco narrativas sobre o comportamento humano em uma situação extrema. Abordando uma mesma situação de confinamento em um misterioso acidente de metrô, nossos cinco autores desenvolvem suas narrativas abordando diferentes perspectivas do evento. Há ainda mais cinco episódios do Caixa de Sobras, nosso folhetim digital, e a presença de mais um convidado no Altergrafia. Por último, mais duas reflexões literárias para aguçar nossas percepções sobre escrita e leitura.

Divirtam-se!

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Outros números

Polistórias: Sci Fi

“A escuridão aumentava rapidamente. Um vento frio começou a soprar do leste em lufadas enregelantes, enquanto os flocos de neve caíam com maior intensidade. O mar se encrespou levemente, com um murmúrio longínquo. Afora esses ruídos da natureza, tudo era silêncio. Silêncio? Difícil descrever a profundíssima quietação que pesava sobre o mundo. Todos os rumores da humanidade, o balido dos rebanhos, o canto dos pássaros, o zumbido dos insetos, a agitação que forma como que a música de fundo de nossas vidas – tudo calara.”

A máquina do tempo (1895), de H. G. Wells.

Como leitor do século XXI, sinto que a ficção científica, cada vez mais, tem dificuldades de tocar a sensibilidade do leitor. Muitas delas são e sempre serão interessantíssimas, com enredos sólidos, abordagens inovadoras e construções de ambientes complexos e ricos em detalhes. Mesmo diante da exuberância de assistir Prometheus (2012), do veterano Ridley Scott, em um cinema IMAX 3D com Dolby Digital 7.1 – o que já soa, por si só, um aparato de ficção científica –, não pude sentir o aperto no peito diante da magnitude esmagadora do universo, de suas forças insondáveis, da presença ínfima do homem nesse colossal vazio. Foi bonito, interessante mas lhe faltava o Sublime.

Acredito que parte do problema seja o excesso de informação. Lovecraft já dizia que o maior temor do homem é o desconhecido. E dizia isso em um tempo no qual se começava a construir as noções modernas da real dimensão do universo. Às vésperas dos 80 anos de sua morte, está cada dia mais difícil dar de cara com o desconhecido. Uma rápida passagem pelo google me permite explorar cada centímetro da Terra, da Lua ou de Marte. Saber a distância de qualquer Sol. Ter acesso a qualquer idioma conhecido. Observar qualquer rua de qualquer grande cidade. Ver documentários sobre milhares de temas.  O problema, nesse cenário, já é outro: diante de tanta informação, muitas vezes conflitante, como escolher sua pauta para a realidade?

Outra questão é o próprio vigor do gênero. Após mais de um século de ficção científica, em que foram explorados planetas distantes, viagens no tempo, clonagem, o centro da Terra, o fundo do mar, dinossauros ressuscitados, alienígenas, vírus mortais, meteoros, mudanças climáticas catastróficas, inteligência artificial e um sem-fim de outros temas, há ainda como, de fato, surpreender o leitor ao ponto de abalar suas convicções, de maravilhá-lo ou aterrorizá-lo diante de uma nova visão da realidade?

A citação que abre esse breve ensaio foi a última vez em que eu pude sentir essa fagulha do sublime. A maior parte de A máquina do tempo, acredito eu, para um leitor contemporâneo, se enquadra no problema geral: é muito interessante, mas incapaz de surpreender. Lendo sem grandes expectativas, contudo, me deparei com um final surpreendente para aquela viagem (spoiler alert): o protagonista, após sua longa jornada pelo futuro, não retorna simplesmente ao passado. Ele continua avançando na ânsia humana de presenciar o próprio crepúsculo da existência terrestre. Conforme o Sol morre, o planeta se torna gelado e escuro, e toda vida se extingue, a máquina continua acelerando, até que não sobre mais que o silêncio aterrorizante em consonância com o frio universo que nos rodeia. Nesse momento, eu pude me ver no lugar do personagem. Em pé, contemplando o último sopro de vida rastejar por uma desolada rocha gélida orbitando os momentos finais do mesmo Sol que banhou toda a história da humanidade. A sensação é aniquiladora. Faz você fechar o livro e respirar fundo. Faz você estranhar o próprio cotidiano durante algum tempo, como uma espécie de efeito retardado. Tudo parece alheio. Frágil. Tudo parece ter um pouco menos de importância.

Se eu pude sentir isso em pleno século XXI, imagine como deve ter sido a experiência para um leitor nos momentos finais do século XIX. Esse é o sentimento de que, creio, um bom sci fi deva transmitir. Ainda que seja difícil, não afirmo que seja impossível. Claramente, mesmo hoje alguns conseguem chegar lá (ou bem perto): 2001: uma odisseia no espaço (1968), Contato (1997) ou  Inception (2010), por exemplo.

Depois de uma apresentação assim, acabo criando expectativas difíceis de cumprir. Caso consigamos, contudo, ainda que uma fração desse impacto, que consigamos alguns minutos de reflexão, com sorte alguns leitores viajando em sua própria mente, expandindo as ideias propostas nesses contos, consideraremos um bom trabalho.

Dessa forma, apresentamos a vocês leitores o quinto ciclo de nosso projeto de contos, o Polistórias: Sci Fi. Embarque conosco em cinco viagens pelos confins da realidade e explore livremente os cinco universos criados pela colisão da ciência com o lado mais selvagem da imaginação.

Polistórias: Confinamento

gloria-abreuadminDurante as nossas postagens de contos de Crime, convocamos nossos leitores para que nos ajudassem a eleger a temática do próximo ciclo. Agradecemos a todos que participaram e votaram. Mas, infelizmente, eventos recentes fazem alterar o nosso cronograma. Novas descobertas sobre um misterioso caso ocorrido há três anos no metrô carioca obrigam-nos a abordar o episódio que ficou conhecido como Incidente Glória.

UITP-Logo

No dia 28 de Janeiro de 2013, pela manhã, houve um apagão que paralisou boa parte do metrô carioca, mantendo diversos passageiros presos entre estações por mais de meia hora.  O caso, ainda que excepcional, não chamou muita atenção, uma vez que não causou maiores problemas. Na época, contudo, fóruns antimidiáticos e sites de credibilidade duvidosa começaram a divulgar um segundo evento no mesmo dia. Um trem teria ficado preso entre duas estações, a caminho da Glória, mantendo seus passageiros confinados por mais de dez horas seguidas. Ainda que os detalhes sobre o caso tenham sido discrepantes, ele se tornou um trend topic durante algum tempo.

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Uma vez que o incidente não foi publicado pelos grandes grupos jornalísticos (salvo certos indícios, como na foto abaixo, do G1), o tema caiu no esquecimento. Hoje a maior parte dos sites, que antes divulgavam a notícia, sequer existe mais. Um assassinato recente, no entanto, reavivou o caso.

Há um mês, a morte de uma jovem jornalista por causas misteriosas foi seguida pela publicação de um suposto caderno de anotações, com dados que apontam para o Incidente Glória – nome dado ao estranho evento no metrô. Sem acesso direto ao diário, tivemos que confiar no PDF enviado por um membro da comunidade Conspiracy, do Reddit. Nem mesmo ter acesso ao scan do caderno original foi possível, pois alegou-se que informações contidas ali (como a caligrafia da jovem assassinada) poriam em risco a família da jornalista.

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Entretanto, ainda que carecesse de credibilidade, o arquivo ganhou atenção dos mesmos grupos que antes espalharam a notícia do próprio evento. Caindo no gosto do público por seu conteúdo intrigante, ele se tornou recentemente uma espécie de bíblia underground das conspirações cariocas. Asssim, teorias para explicar o episódio proliferam. Grupos antigoverno veem no caderno do Incidente Glória a prova cabal dos desmandos do Estado e da manipulação midiática. Algumas comunidades falam em experiências militares. Até sites de ufologia estão interessados no assunto.

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Escavando os confins da internet, é possível encontrar não só teorias, mas também documentos: dados sobre a gigantesca UITP e a extensão de sua influência; as relações profundas da administração do MetrôRio com a política a nível nacional através da OAS; fotos que supostamente teriam sido tiradas dos próprios vagões; fotos do site da concessionária na hora do incidente, e de um importante portal de notícias na manhã seguinte (antes de ser retirado do ar). Somado a isso, há trechos de entrevistas compiladas pelo usuário Semperveritas, do Reddit. Segundo ele, foram gravações feitas por um dos passageiros do metrô que chegou a ver a situação do vagão na manhã seguinte ao evento (Clique aqui para ouvir o áudio compilado).

Sem querer atestar a veracidade da história, nem tampouco duvidando de sua possibilidade, nós decidimos recontar esse momento ímpar de mistério na cidade. O Poligrafia entrou em contato com alguns membros do Conspiracy e teve acesso aos trechos mais completos de algumas das supostas entrevistas transcritas (alguns fragmentos podem ser encontrados na versão em PDF do caderno).

Apresentaremos, então, durante cinco semanas, os contos produzidos sobre este incidente. Quatro de nossos membros, utilizando diferentes recursos narrativos, ficarão responsáveis por editar e organizar cada um dos depoimentos. Tentaremos, contudo, ser fiéis ao texto original.

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O quinto e último conto do ciclo será o aquivo PDF com o caderno transcrito. Ele servirá para que os leitores possam confirmar o rumo de nossas pesquisas. Com estas histórias, esperamos  trazer um pouco mais de luz ao misterioso caso do Incidente Glória.

Seção Autoral

Temos novidade! Agora, em adição ao material produzido durante nossos projetos, você poderá acompanhar a produção paralela dos autores do blog também no Poligrafia. Na seção autoral, os autores do site poderão publicar suas resenhas, contos, reflexões e qualquer outro tipo de produção artística/crítica. Por mais que não esteja vinculada diretamente aos projetos do grupo, a seção é uma ótima maneira de conhecer um pouco sobre outro lado de nossos autores. Confira:

Gabriel Sant’Ana

Jonatas T. Barbosa

Lucas M. Carvalho

Luciano Cabral

Pedro Sasse

Poligrafia revista – Ed. 02

capaed2Chegou a segunda edição da nossa revista, que reúne em um só lugar todos os contos, capítulos e reflexões literárias que fizemos ao longo desse ciclo. Agora temos mais uma novidade: se vocês preferem o formato de leitura do ISSUU, só precisa clicar no link abaixo ou simplesmente buscar por “poligrafia” no próprio site. Boa leitura!

Ler o Poligrafia Revista – Ed. 02

Ver no Issuu

Poligrafia Revista – Ed. 01

Tendo em vista que nem todos podem acompanhar nossas postagens no blog ao longo do mês, resolvemos criar a Poligrafia Revista,  uma forma de compilar todos os textos que se encontram em nosso site. As edições seguirão sempre as novas temáticas do Polistórias, nosso projeto com maior quantidade de texto. Dessa forma, a primeira edição abrangerá todos os textos desde o lançamento do primeiro conto do tema Terror até o quinto e último. Isso não significa, contudo, que a revista será constituída apenas por eles. Junto aos textos temáticos estarão os últimos cinco capítulos do Caixas de sobra, nossa web série literária, e as obras de nossos autores convidados.

Esperamos que esta seja uma forma de facilitar a leitura para aqueles que preferem ter versões offline do texto  (seja para ler em aparelhos portáteis ou para imprimir). Poupamos, assim, o leitor do trabalho de reunir todos os textos não lidos e oferecemos como adicional esse lindo layout (ou ao menos nos deixe pensar assim…). Boa leitura!

Ver Poligrafia Revista Ed. 01