Polistórias: Crime

Um dia desses, dei por abrir meu Capão pecado, do Ferréz. Logo no início, tem uma espécie de prelúdio feito pelo Mano Brown e uma frase chamou minha atenção: “Aqui as histórias de crime não têm romantismo e nem heróis.” Ele estava falando de São Paulo, do Capão Redondo mais especificamente. Mas a máxima poderia,Continuar lendo “Polistórias: Crime”

“Mosaico”, por Lucas M. Carvalho

“Larguei o livro. Olhei para a coluna em frente, perguntando-me se cada uma daquelas pedras seriam a própria totalidade da coluna, ou toda casa, ou toda Fez, ou o Marrocos, a África, o mundo. Se seria eu. Se seria eu em todos os lugares e em todos os tempos, e se eu estaria em cadaContinuar lendo ““Mosaico”, por Lucas M. Carvalho”

Polistórias: Lugares

Uma das vantagens da literatura é, definitivamente, seu poder de imersão. Sentir o vento frio das estepes de Tchekhov, o cheiro forte da fumaça industrial de Dickens, os encantos da corte japonesa em Murasaki Shikibu. Defensor de uma arte cada vez mais ofuscada pelos brilhos sedutores da mídia visual – ainda que um defensor suspeitoContinuar lendo “Polistórias: Lugares”

“Espiral amarela”, por Pedro Sasse

“Seus dedos ingênuos passeiam pelo material orgânico, deixando marcas no chão. Aquilo lhe dá enorme prazer. A descoberta do poder criativo. Faz sucessivos riscos no chão. É capaz de romper a uniformidade do mundo com apenas um dedo. Alguém chega e carrega-o para longe de sua obra. Mas está consumado. Refinou por anos seu prazer.Continuar lendo ““Espiral amarela”, por Pedro Sasse”

“Praia do urso”, por Jonatas T. Barbosa

“Marie despertou vomitando água salgada que escapulia pelo nariz e sentindo o fedor de pelo molhado. Não sabia quanto tempo se passara, mas já estava escuro. A lua minguava como uma lâmina. Ela sentia apena dor de cabeça. O resto do corpo parecia ileso. Passou a mão pela barriga, flanco e coxas. As pernas estavamContinuar lendo ““Praia do urso”, por Jonatas T. Barbosa”

“Carne de Bicho, Carne de Gente”, por Luciano Cabral

“Rebeca nota o rosto úmido do filho, “Davi estava chorando?”, seca suas lágrimas com a bainha da blusa, “estava”, “por quê?”, “fome, como todos nós”, as duas entram na cozinha, Bartolomeu pega o cachimbo que havia deixado na poltrona, dá uma tragada e vai sentando vagarosamente na poltrona, “eles vão dar um jeito, como sempre,Continuar lendo ““Carne de Bicho, Carne de Gente”, por Luciano Cabral”

“Cuidado, piso molhado!”, por Gabriel Sant’Ana

“(…) Existem várias formas, maneiras de se matar alguém. Não perderia tempo estudando medicina, de que adianta saber os nomes dos músculos, ossos, veias, se o que importa mesmo é o sofrimento da vítima? Aquele shopping, aquelas pessoas, aquela situação, aquele ar condicionado, aquele médico, aquele trem, aquela sua casa, aqueles seus parentes, seus vizinhos.” DandoContinuar lendo ““Cuidado, piso molhado!”, por Gabriel Sant’Ana”

Polistórias: Terror

A noite caiu sobre o Poligrafia, e as sombras de nossos pesadelos espreitam as janelas.  O medo inaugura nossa sessão temática, homenageando o gênero que, seja através de Poe, Lovecraft ou Stephen King, foi capaz de permanecer no imaginário popular por mais de um século. O tema: terror. A única regra: evitar o óbvio, o lugarContinuar lendo “Polistórias: Terror”