“Saída de emergência”, por Jonatas T. Barbosa

“O ruído das caixas de som dessa vez viera agudo, quase inaudível. Todavia, ele compreendera bem a mensagem, o sinal. Nada havia começado ainda. Era apenas um prelúdio. Um círculo familiar onde fim precedia o princípio. Um túnel aberto. Atravessava o tempo e o espaço, dentro e fora de sua mente. O caminho direto para seu próprio Inferno”.

O único corpo oficialmente encontrado nos trilhos do metrô na época do Incidente foi o de um jovem, entre os 20 e 30 anos, roupas simples, apenas o celular, uma carteira sem documentos e um isqueiro no bolso. O laudo da perícia médica indicou grandes doses de antidepressivo e outras drogas de uso controlado em seu sistema. Em comunicado oficial, o MetrôRio informou que o rapaz havia entrado na estação após o fechamento dos serviços,provavelmente sob o efeito de entorpecentes e morreu no meio dos túneis da linha 1. No Reddit, usuários não tardam em conectar o caso ao Incidente Glória, criando as mais diversas teorias. Jonatas Tosta, hoje, apresenta um conto baseado na possível experiência desse jovem durante o evento.

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“Fodase!”, de Gabriel Sant’Ana

“Palavrão arranhado no assento, próximo às pernas, sinal emblemático da posição em que o corpo tenta reorganizar suas forças desestabilizadas, nesta posição as mãos apoiam a cabeça para que não sofra tanto com a pressão da gravidade da situação, e também as mãos que se sustentam ao contato sofrível dos cotovelos sobre a calça, neste momento se amarrotando, e também a blusa perdendo o alinhamento dado previamente pela doméstica há tempos da família.”

Dr. Jorge Felipe foi uma figura central no incidente. Diversas vezes citado no caderno de P., não há contudo nenhum registro oficial de sua experiência durante o evento. Coletando as informações encontradas sobre o problemático ex-PM, tentamos reconstruir um pouco do que deve haver sido suas primeiras impressões da súbita parada do Metrô.

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