“Tollebat citharam (I Sm 16, 23)”, por Gabriel Sant’Ana

dedilhava delicadamente
de Saul a cítara e o sentimento
recedendo o outro espírito
ressentido
rasgando ao sair com garras
a pele pelo sumo divino esquecida

leves ficando os humores
por dedos leves
assovios harmônicos

impaciente e grave rosto
brando e suave formando

antipático demônio
de traços grosseiros
incitando à diva aversão cítara
pesado corpo real sacoleja
babas expelindo esverdeadas
revirando seus olhos
grossa voz sair da boca faz
impropérios e ameaças e gritos

dedilha mais suave
ao ouvido quase inaudível
seu corpo e suas mãos
em dança angelical
do possuído se afastam

a cair pelo próprio
nó das pernas difusas

um novo hino sai da minha boca
para enaltecer tua vitória
sobre toda força brusca e animal.
não precisas a esta ser igual.
basta a ti a leveza inaudível
de harmoniosos instrumentos.
a ti bastam mãos delicadas
dedilhando por tua inspiração

o silente som

Eu sou

Eu sou

“A magnífica obra de P. Descarte”, por Pedro Sasse

“Quando recebi o telegrama oficial com o pedido da então Secretaria de Cultura, devo admitir, fiquei deveras surpreso. Minha reação primeira, aquela que se nos vem direto do peito, foi negar. Quase cheguei a rasgá-lo, crendo-o fruto da maior alucinação que o poder pode levar a esses recém-formados governos. Um copo de um bom maltado e algumas páginas de Quixote me levaram, contudo, a pensamentos mais brandos. Resolvi por aceitar a organização de uma edição crítica da obra de P. Descarte, não pelo pagamento que me propunham – minha esposa, contudo, animou-se com o cheque recebido dias mais tarde – mas por motivos ainda difíceis de pronunciar na fonética emaranhada de minha psicologia.”

Ler “A magnífica obra de P. Descarte”

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Concursos Literários I

books concursos literários poligrafia.jpgSe para Emily Dickinson, o desejo de escrever não era necessariamente seguido do desejo de tornar público, para muitos escritores, há algo que importa tanto quanto a invenção de uma boa história: poder publicá-la. É assim que os concursos literários tornam-se locais mais que apropriados para divulgar a escrita criativa. E dois destes concursos estão com inscrições abertas até o fim deste mês para contos, poesias e crônicas.

Um deles é o Prêmio Maria José Maldonado de Literatura, promovido pela Academia Volta-redondense de Letras, na região sul fluminense do Rio de Janeiro. As inscrições vão até 30 de abril. Se você é poeta ou contista, clique aqui e participe. Não há cobrança de taxa. As inscrições são feitas por email e o prêmio é ter seu texto publicado em uma antologia virtual.

O segundo concurso, também com inscrições até 30 de abril, é promovido pela secretaria de cultura do município de Presidente Prudente, no interior de São Paulo. Neste, além de poetas e contistas, também podem participar cronistas. Sem exigir taxa de inscrição, o prêmio oferece publicação impressa aos vencedores. Se quiser saber mais e participar, clique aqui.

Por hora, estes são os concursos com inscrições até o fim de abril. Em breve, daremos novas notícias.

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