“Ódio ao lado”, por Jonatas T. Barbosa

“Não devia ter reagido, sr. Lang. Não devia ter voltado pra casa. Não devia ter pego a arma escondida na sala. Deve ter se assustado com o sangue na soleira dando boas vindas. A natureza é simples. A natureza não usa fantasia de Deus. Ele não entendeu na primeira vez. Aquele cheiro de tripas assadas com merda dentro. Nem entendeu a segunda vez. Meu amigo Lang só ficava rindo e acenando do outro lado do muro. “Quer participar do nosso círculo de oração?”

Um bairro tranquilo, vizinhança aparentemente sempre alegre sorridente. Você passa de carro e acha que entrou em alguma cena de algum filme american way of life. Mas o cadáver no andar de cima é um lembrete que paz e harmonia é uma cortina frágil. Assim que o mais leve vento sopra, a verdade surge. E ela fede à decomposição e ódio. Quer mesmo saber a história desse corpo aí? Pegue algo para beber antes, relaxe um pouco a cabeça. Está bem? Você que sabe… Aqui estão as palavras do assassino:

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“Eu Sei Que Não”, por Luciano Cabral

“nós não temos muito tempo, então saiba que é um privilégio estar aqui conversando comigo, não posso te soltar, não posso abrir as janelas mas posso abrir sua cabeça, você apanha e entende, assim é o que a vida faz com todos nós, quem não entende tem que apanhar mais, o que você precisa saber é que baixar a cabeça não é desistir, é obedecer e obedecer é dizer não ao caos e sim à harmonia”

Eu sei que não foi agradável o caso M.N., acredite. Mas é preciso ser forte, ter um pouco mais de estômago. Ainda falta bastante lama para ser desenterrada e eu não quero que você abandone o caso… Hoje, tenho que confessar, a coisa toda é ainda pior. Ouça essa gravação e me diga se não eu estou certo quando digo que não é mais possível ter fé na humanidade…

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