Caixas de Sobra – Ep. 36

[Ainda não leu os episódios anteriores? Clique aqui]

Na garupa da moto, meu corpo vai com os Onze, mas minha mente não obedece, vai contra eles, vai pra trás, pro passado, vinte anos, eu me pergunto quanto é o bastante? quem saberia responder esta pergunta neste mundo de merda e de números em que se sobrevive? em que minha importância era medida por fileiras de dígitos, de sorrisos por dinheiro, de gorjetas generosas, não aguentava mais aquilo, eu mesmo havia aberto a caixa, mas não podia arcar com isso, pôr a culpa em Pandora era bem mais fácil, sabia dos riscos, sabia bem o que era estar entre os Onze com uma taurus engatilhada na direção da própria testa, mas não tive coragem, Marlene cansou de perguntar de onde vinha o dinheiro, eu e ela sabíamos que caixas não podiam ser tão lucrativas, fosse o tamanho que fosse, que falta que meu filho faz agora, queria abraçá-lo como nunca fiz, usar as palavras leves que nunca usei, livrar-me dessas caixas e correr ao encontro dele como nunca corri, Brasil, Colômbia, Venezuela, Chile, Bolívia, Guiana, Argentina, México, Portugal, Espanha e eles queriam me mandar pra Angola, mas dizer não é assinar uma sentença, é fácil abrir a caixa de Pandora mas é doloroso fechá-la, a corporação era maior do que eu imaginava, onze é só um número dentro muitos outros, enquanto houver quem abra a porta pra receber as entregas, a corporação continuará crescendo, Angélica leva a mão ao abdômen toda vez que a moto trepida, ela é mais forte do que parece, seu ferimento tem o tamanho da minha ganância e eu quem deveria ter levado o tiro, não ela, mas ainda não acabou, nem pra ela e nem pra mim, consigo enxergar uma luz no fim da estrada, a mesma que deixamos pra trás, ironicamente, percebo que seria melhor ter continuado na completa escuridão.

Luciano Cabral

E não perca, na próxima quarta, às 20h, mais um episódio de Caixas de Sobra.

Caixas de Sobra – Ep. 33

[Quer ler os episódios anteriores? Clique aqui]

É uma terça de tarde. Santos caminha junto a Simeão pelo acostamento. “Uma lição importante do trabalho. Eu já consegui mais clientes que uns três de vocês juntos, que porra de lição é essa que se aprende depois de já estar cascudo?” Simeão não responde. Seus lábios sussurram Blue Moon enquanto o dedo com o grande anel de prata batuca a lateral da pasta.

18 anos mais tarde o rio arrasta o sangue de Angélica, e Santos Passos é apenas uma sombra debatendo-se contra a natureza. Os tiros, antes cantando de tronco em tronco dão lugar a um silêncio de caça. Cada moita guarda seu possível predador a espera de um galho quebrando num lugar qualquer da floresta. Santos Passos sente que, há demasiado tempo, nada no sangue dos outros, sente que é hora de nadar em seu próprio sangue.

É uma terça à noite. Um português de camisa branca manchada os conduz aos fundos do armarinho. A funcionária sorri para Santos Passos. Ele pergunta o preço do relógio de pulso. O português balança a cabeça e gesticula. Uma das Caixas está vazia sobre a mesa. Simeão abre as travas da maleta. “A última lição é a mais importante, Ben. É o pilar de todo o esquema. É uma lição ancestral. Os gregos já a conheciam…”. Ele termina de colocar suas luvas de couro e retira uma lâmina fina da maleta. Cabo de marfim. Geburah. “Uma vez a caixa é aberta, Ben, a morte é liberada no mundo”.

O corpo de Angélica está sobre uma pedra. A água circunda os joelhos de um Santos gasto. A lua cria as curvas da estátua estoica que ela mesma se tornou. Os olhos buscam entre as gotas da chuva o rosto do algoz. “É isso que você quer?”.  A voz é pura alma escapando do corpo cansado. “É isso? Não vou mais correr! Eu quero que você olhe na minha cara. Eu quero ver sua cara e sentir seu cheiro enquanto você me mata…”. O lobo sai das sombras. Pelo eriçado. Passo a passo vence o rio até que entre os rostos de presa e predador fique apenas a espessura da tensão. Nada em Simeão mudou em duas décadas de perseguição. Talvez apenas estivesse mais oco. Menos humano. Menos mortal. Talvez fosse apenas um pesadelo. “Você conhece a lição, Ben…”. A Geburah cruza o ar como um fogo fátuo piscando na mais solitária noite. Apenas diante da morte a total clareza da última lição atinge sua mente. A lâmina é freada atravessando sua mão. “Espera! Eu… eu… eu sei onde achar ela. Eu cansei disso. Eu não vou mais… eu… porra, Simeão, eu vou cumprir esse jogo doentio de vocês. Mas primeiro eu quero falar com o chefe… e… e a garota na pedra precisa sobreviver”.

É uma terça e um gordo treme em passos lentos de recuo. Há dois furos delicados transpassando pele, gordura e órgãos. Pinga menos sangue do que Passos poderia esperar. A porta dos fundos se abre. Um gordo trôpego dispara pela viela. Simeão gosta. Sente o cheiro da noite. O sabor do medo no ar. “Vamos dar a ele uns segundos de vantagem. Se não perde a graça…”

Pedro Sasse

Não perca, na próxima quarta, 20h, mais um episódio de Caixas de Sobra.

Caixas de sobra – Ep. 24

[Se ainda não viu os últimos capítulos, clique aqui]

Já tinha se habituado às pedras, matos, mosquitos, formigas de todo tipo, percebe que sua audição não havia de todo se perdido, parece ter desenvolvido uma atenção mais sutil aos menores sons, ali é um sabiá!, agora se lembrava das rápidas aulas de Angélica sobre os cantos dos pássaros, mesmo seu olfato estava mudado, talvez aquele ambiente menos sobrecarregado de fumaça de automóveis, ou melhor, o efeito dos odores diversos numa concentração comunitária, em exposição gratuita e obrigatória, e principalmente o cheiro de Angélica, o que também faz com que seu tato se aprimore, se desmecanize, apesar das marcas do relógio ou do volante ainda estarem como uma tatuagem borrada,

ainda assim permanecem, não como uma identidade, mas como uma condenação, as caixas, por mais que tenha tentado o contrário,

ainda assim permanecem os pedidos, o dever-entregar-ao-companheiro, senão sua sobrevivência estaria arriscada, ele sabe disso, certamente, mas precisa sempre se lembrar do velho ditado deixado pelos romanos manus manum lavat, ou (desnecessário traduzir),

Avista o companheiro a quem deve entregar a caixa.

Aproxima-se. O rosto do companheiro não parece,

– Então você deve ser o sr. Caixa… entra aí…

parece que,

– Pode deixar a caixa em cima da mesa, ali ó,

Estão no cubículo que parece uma sala, a mesa apontada está no espaço à direita, onde existe um sofá desgastado,

– Pode sentar aí, sr. Caixa, eu tava terminando de preparar uma carne moída, o macarrão vai ser miojo mesmo, ou você prefere arroz?

– Por mim

– Mas agora lembrei, o arroz azedou… Mas me conta aí essa história de “caixa”, até agora não entendi o que tá nos jornais…

– Bem

– Não, não… você deve tá com fome, andou bastante, e a carne tá quase no ponto, e é melhor esperar pra contar quando o chefe vier.

Gabriel Sant’Ana

Não perca, na próxima quarta, 20h, mais um episódio de Caixas de Sobra.

Caixas de sobra – Ep. 23

[Se ainda não viu os últimos capítulos, clique aqui]

São 13 horas do sacro Domingo. Santos Passos está ajoelhado ao Sol. A discussão ocorre aos sussurros, eclodindo, vez ou outra, um princípio de grito rapidamente abafado pelo desejo de sigilo. A grama ressecada arranha seu joelho. Mosquitos pousam e partem de seu rosto petrificado. Dez horas antes está sentando na cadeira de vime do que aprendeu a chamar lar. Olha Angélica. “Preparado? Um, dois, três e…” afunda a cabeça na piscina da casa de Bacaxá. Tem doze anos. A prima o beija no fundo da água. O mundo inteiro está longe. A escola. O padrasto. As brincadeiras de mau gosto de Lelé. Os lábios ficam unidos em perfeita harmonia. Quer estar ali pra sempre. Mas o ar está acabando. Sabe que a qualquer momento terá que desistir daquele momento e voltar à superfície. Mas pensar nisso é gastar o prazer do beijo. Não quer pensar. Mas pensa.

São três da manhã. Angélica é um tronco de árvore no meio da floresta. Plácida. Firme. Tênue. A comunidade inteira está em silêncio. O mesmo silêncio do fundo da piscina. Tudo ali está submerso. O cheiro dela. O café. O trabalho na obra. Mas o ar está acabando. São nove da manhã quando acorda. É domingo e olha para o teto e suas constelações de buracos e rachaduras. Vê Aquarius próximo a uma nebulosa de mofo. “Eu perguntei tanto ontem da caixa não foi por mim não que eu sou fuxiqueira… mas tem um delegado lá no asfalto que é. Vem perguntando muito sobre o Homem das Caixas, como o jornal tá chamando. Ele mostrou até a notícia…”. O ar está quase no fim. Santos Passos sente seu pulmão murchando. O desespero vazando das frestas da consciência. O Sol paira no centro do céu quando partem para ver Pablo. “Ele não vai querer você aqui, com as crianças e… tudo mais. Mas ele vai ajudar porque ele ajuda quem é da comunidade. Mas tem que confiar. Você vai ter medo, mas tem que confiar”.

O gosto de cinzas na mordaça aguça peculiarmente seu paladar. Dá fome. As formigas escalam as coxas, desbravando um sertão púbico. A última bolha escapa da fusão das bocas. Seguram-se pelas mãos. Tudo é comunicado ali. Sabem que é preciso emergir. Passa um quarto de hora ajoelhado até tirarem a venda. Demora a se acostumar com a luz. “Compañero… tu sabes que no quiero tu mal, pero tampouco puedo dejar que la policia venga hasta acá…”. Santos Passos se vê num mar de estrelas verdes. Sentinelas passeiam entre a folhagem, bonés e panos no rosto, ak47 a tiracolo. “Pero me hán dicho que te gustan las cajas, no? Pues vás a dar um paseo por el bosque hasta que la policia se parta y aprovechas para llevarme una caja a un compañero, si, sr. Caja?”. Angélica repousa a mão em seu ombro. 14 horas está em pé. Uma mochila militar está presa às suas costas, a caixa, em sua mão. Algumas lavadeiras rasgam o ar em voo rasante. “Angélica, coge el camino de siempre y te quedas em el abrigo hasta llegaren los compañeros. Volveis em unos dias com el mio que las cosas deben estar mas calmas, por acá…”.

Santos Passos entra na sombra úmida da floresta. Angélica, predadora, caminha adiante de olhos atentos. Anos antes, ele a prima se olham por última vez através da ilusão ondulante das águas. E mergulham novamente na realidade.

Pedro Sasse

Não perca, na próxima quarta, 20h, mais um episódio de Caixas de Sobra.

Caixas de sobra – Ep. 20

(Não viu os últimos capítulos ainda? Clique aqui!)

– Não é assim que se vira a massa, seu Passos.

A cada vez que Matias me chama pelo nome, me amaldiçoo. Por que não fui inventar uma desgraça de nome falso? Coisas agora tão óbvias, mas que antes não passaram pela minha cabeça. Coisas que me fazem entender os grandes erros da humanidade. Guerras. Holocausto. Viver não é simples, não são decisões tomadas na frente de uma máquina de escrever.

– Vai deixar secar a massa, seu Passos!

Ele gritou. Eu imagino se alguém neste estado não ouviu. Meus olhos giram ao redor em pavor, acusando culpa, mas uma culpa que ninguém percebe, pois, aqui, todos são igualmente culpados.

– Matias, eu não sirvo pra servente.

– Pelo menos você não falta. Os moleques da Rafaela cagam tudo e ainda nem aparecem na hora do serviço.

Vinte e cinto reais no fim do dia. Volto para a casa da Angélica, suado, as roupas são fiapos de indigente. Cumprimento o Marlon, ou talvez o Diogo, nunca lembro quem é quem. O menorzinho é Levi. Nunca consigo olhar nos olhos dele. Angélica pede pra eu descer e comprar um macarrão porque a água já está fervendo. É um fim agradável de tarde, ao longo de muitas tardes agradáveis, como jamais pensei ser possível.

– Faz mágica, tio?

Ponho uma pedrinha na junta do cotovelo do menino e a faço aparecer no outro braço.

– Me ensina?

– Só se você for na venda pra mim, que eu tô cansado. Traz um macarrão.

Deito no canto que me foi preparado. Angélica assiste TV e faz as unhas dos pés.

– Me diz uma coisa, Passos. O que que tu fazia de trabalho?

– Eu? Era vendedor.

– E o que tu vendia?

Abro boca despretensiosamente:

– Era um…

No bolso, um papel manchado. Parece ser o que sobrou do velho “A Arte da Guerra”. Angélica olha para mim e espera a resposta. Eu apenas sorrio.

Lucas M. Carvalho

Não perca, na próxima quarta-feira, 20h, o próximo episódio de Caixas de Sobra!

Poligrafia Revista – Ed. 03

capaed3É com prazer que anunciamos o terceiro número de nossa revista virtual, para quem quer acompanhar toda a produção do blog na comodidade de um único arquivo. Além dos contos temáticos de crime, mais cinco episódios de nosso folhetim virtual, um autor convidado e, ainda, dois ótimos ensaios sobre estilos narrativos. Se ainda não conferiu, agora é o momento!

Baixar  o “Poligrafia Revista Ed.03”

Ler pelo ISSUU

Outros números

Caixas de sobra – Ep. 16

(Não viu os últimos capítulos ainda? Clique aqui!)

ponho o telefone no gancho, tenho a sensação de que todos os olhos do mundo estão sobre mim, saio dali como um bicho escorraçado, eles podem voltar, me perseguir, me atormentar, mas não são capazes de saber o que está acontecendo

dentro da minha cabeça

uma caixa, meu Cássio

sem Pandora, mais fácil

meus passos, passos pra trás

dois passos, passo a mais

Rubem não poupa ninguém

Simeão cara de cão

Judá morrer ou matar

digressão sem direção

doze menos passos são onze

sangue, unhas, vidro estilhaçado

carteira perdida, acidente na estrada

hotelzinho de merda, acabado

blowing in the wind

Sun Tzu nunca foi à guerra

Marlene e eu fomos

Marlene e eu

não devia ter ligado pra ele, devia ter ligado pra ela, em que eu estava pensando quando fiz esta ligação? meu pensamentos equivocados embaralham minhas pernas, tropeço como se estivesse aprendendo a andar, mas eu continuo, continuo andando, preciso me afastar dali, eles não são capazes de saber o que está acontecendo dentro da minha cabeça e às vezes nem eu sou.

Luciano Cabral

Não perca, na próxima quarta-feira, 20h, o próximo episódio de Caixas de Sobra!

Caixas de sobra – Ep. 03

(Não viu os últimos capítulos ainda? Clique aqui!)

O velho Cássio marca 18:35. O Garçom entra. “Tudo bem, com o senhor?”. A porta do banheiro está entreaberta. A cabine vazia. Um grande pedaço de merda, disfarçado de gato de Cheshire, sorri na privada. O coração está acelerado. O corpo sua em regiões ignoradas por um corpo dez anos mais novo. Santos Passos, vendedor, idade indeterminada pelas rugas, passa água no rosto. Fede a enxofre. Para ele, toda água de bica fede a enxofre. Imagina os ratos mortos, os ovos de insetos, o lodo, tudo sendo mascarado pela pedra amarela. Os dedos acariciam incrédulos a pele curtida durante anos pelo Sol. Quando foi que eu envelheci?

O velho Cássio marca 18:42. Está na mesa. A sua volta todos são iguais: espantalhos de terno, mastigando a comida de gosto já gasto pela rotina, olhos vidrados nas cores rodopiantes da tela. O horário é o limbo que separa o fulgor de vida das crianças de escola e comerciantes de meio-dia e a beleza familiar dos jantares noturnos. O almoço das quatro é a reunião de todos os restos: sempre que os restos de uma opção começam a esfriar no mostruário, os garçons, para não travar o fluxo, despejam comida nova por cima, misturando-a com o resto da antiga. Às 16 horas, só permanece no restaurante aquilo que ninguém quis, aquilo que circula entre as remessas novas, esperando ter a sorte de acabar num prato, mas esfriando conforme só lhes resta contemplar o fundo da bandeja.

O velho Cássio marca 18:52. O garfo desenha um redemoinho no molho de salada. Subitamente pareidólico, o rosto do menino se esculpe no nervo de carne que restou. O sorriso debochado. A ponta de catarro quase alcançando os lábios. A camiseta regata dos odiosos cartoons pós-modernos. O corpo era tão frágil que facilmente romperia entre suas mãos. Seriam necessárias apenas quatro caixas para carregar os pedaços do corpo nos bancos traseiros do carro. Quando foi que eu deixei de gostar de crianças?

O velho Cássio apita às 19 horas. Nunca foi capaz de reprogramar o relógio. Há dez anos ouve, como os lamentos de um velho sino de igreja, o monofônico e estridente aviso de uma hora vazia. Nunca soube, tampouco, que botão – ou combinação – é capaz de fazer cessar aquele som. Há dez anos gasta dez ou mais segundos apertando as pequenas hastes de metal em busca do certo. Dez horas de vida gastas em alarme. A caixa recebe o cartão. Senha. Nota. Recibo. Comanda carimbada. Comprovante do estacionamento. Vazando papeis, segue para o carro. O que eu teria feito com essas dez horas se nunca comprasse o relógio?

O velho Cássio marca 19:10. O carro deixa a fila do estacionamento e entra para a grande fila chamada rush. O pequeno bibelô no retrovisor gira de um lado para outro. O coro de buzinas é um alarme Cássio em que milhares de pinos impedem seu desligamento. Um último cliente a ser visitado antes da cerveja na cadeira de praia do meio da sala. Antes dos olhos cansados da Marlene, seu hálito de shake alimentício e aquela sua prótese dentária que fica brilhando no fundo da boca.  Um cliente nas bordas da grande cidade, onde quase tudo fica para trás.

O velho Cássio cansado marca 19:45. Santos Passos na rodovia. A Lua é apenas uma fatia fina de luz ofuscada pelo brilho xenônico dos faróis.

Pedro Sasse

Não perca, na próxima quarta-feira, 20h, o próximo episódio de Caixas de Sobra!

Projeto Poliscrito

Typewriter, por Scott L. Kho. (Disponível em: http://scottkho.deviantart.com/art/Typewriter-18164671)

A ideia do Projeto Poliscrito funde dois princípios que inegavelmente fazem parte da produção contemporânea de ficção: a narrativa seriada, popularizada principalmente através das séries de tv (mas também populares na forma de novelas, quadrinhos e até alguns jogos narrativos modernos como Life is strange); e a narrativa coletiva, em que diferentes autores se intercalam na escrita de uma mesma obra, marcando-a com seus próprios estilos, enfoques e enredos.

Dessa forma, desejamos com o Projeto Poliscrito, produzir narrativas longas (sem um encerramento previsto) que serão semanalmente postadas no blog. Cada episódio dessa narrativa é escrito por um dos membros do blog, que se alternam em uma ordem estabelecida para manter a maior distância entre os estilos de escrita. Com o tempo, conhecendo como cada um de nós escreve, será possível ver formar-se um ritmo próprio da narrativa, que oscilará entre escritas memorialistas, fluxos de pensamento, ação, suspense e violência.