Star Wars: uma space opera

O universo da ficção é repleto de gêneros e subgêneros. Desde Aristóteles, quando os gêneros principais eram o épico, lírico e dramático, com suas funções e seus temas, sempre houve o desejo de criar categorias. Suponho que isso faça parte da necessidade humana de dominar aquilo que estuda, de subjugá-lo através do nome.  A partir do século XX, os gêneros se multiplicaram, as especificidades aumentaram, como um vício. Somente do gênero Cyberpunk, por exemplo, se desdobraram o steampunk, o teslapunk, o dieselpunk, clockpunk, biopunk, nanopunk, greenpunk e até weedpunk. Na fantasia, temos Espadas e Sandálias, Espada e Feitiçaria e por aí vai.

Recentemente um amigo fez uma pergunta curiosa, que foi mais ou menos assim: “Star Wars é ficção científica? Mas em Star Wars o som se propaga no espaço, a física é absurda, pessoas de planetas diferentes falam a mesma língua. O que tem de científico nisso?”. Certamente ele tinha uma concepção bem geral de “ficção científica”, e então a necessidade de tantos subgêneros passou a fazer um pouco mais de sentido para mim (mas não muito, a considerar que muitos dos próprios autores não estão nem um pouco preocupados com isso). De fato uma história como Star Wars é bem diferente de 2001 Uma Odisséia no Espaço, na proposta, nos temas, na “seriedade”. Apesar disso, ambos atendem às ideias gerais do que seria ficção científica, pois estão relacionados, de uma forma ou de outra, à tecnologia e ao futuro.

Histórias como Star Wars, Star Trek e Guardiões da Galáxia se encaixam num gênero chamado Space Opera. Não é necessário dizer muito, pois as características principais são evidentes. Apesar do nome, pouco tem a ver com um espetáculo de ópera: é na verdade uma referência ao termo horse opera, nome que se dava a antigos filmes de faroste, na época do cinema mudo. Portanto, pode-se dizer que Star Wars é uma space opera, dentro da ficção científica, dentro da ficção especulativa.

Esses gêneros, que são incontáveis, de certa forma nos ajudam a manter um panorama organizado daquilo que já foi produzido e virou tendência em diversas mídias.

A propósito, se sua atenção se prendeu nos nomes estranhos acima, sinto que devo convidá-lo a ler um conto meu publicado na antologia Teslapunk, da editora Madrepérola, e a descobrir o que é este subgênero:

PDF gratuito do livro:

“Um império cai, um soldado retorna”, de Pedro Sasse.

“Fileiras e fileiras preenchidas por iludidos. Iludidos que crescem e aprendem a apertar o gatilho e fazem o trabalho que antes as máquinas faziam… elas… elas e os clones tinham uma desculpa pelo menos, eram programados para aquilo… qual a sua desculpa pra puxar o gatilho, Nar? Que história bonita você conta pra si mesmo antes de dormir pra justificar a explosão de um planeta?”

Talvez não seja a franquia mais premiada. Talvez os filmes não sejam lá tudo isso. Tem gente que reclama do roteiro. Outros da direção. Mas a maioria, quando ouve a composição de John Willams, sente a mesma vontade de cruzar o espaço desconhecido na velocidade da luz. Seja nos sujos bares de Mos Eisley, nos saguões imperiais ou mesmo nos pântanos de Dagobah, a Força se move dentro daqueles que acompanharam a saga de George Lucas. Pedro Sasse, homenageando o universo de Star Wars, reflete sobre o que poderia acontecer durante a volta de um dos incontáveis (e descartáveis) Storm Troopers para casa após a queda do Império.

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